terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

D. Helder Câmara


Um lugar no coração bispo


Só com muito amor no coração é possível dar continuidade ao projeto da Salvador da humanidade, de edificar um mundo verdadeiramente de irmãos, justo e solidário, tendo diante dos olhos, na mente e no coração a grande e maior novidade, de um Deus que se encarnou na nossa história. Que no ano de 2012 venha sobre nós a paz que sonhamos e que seja duradoura, que Dom Helder tão apaixonadamente anunciou, ao deixar-se devorar pela graça de Deus, ao afirmar através do seu espírito profundamente jovem: “O segredo de ser jovem – mesmo quando os anos passam, deixando marcas no corpo – é ter uma causa a que se dedicar”.1
Aquele que não se encanta com o Reino, proposta do Salvador da humanidade, nunca irá descobrir as razões de viver e sonhar. Dom Helder nos ensina: “feliz quem tem mil razões para viver”; “Quando as dificuldades são absurdas, os desafios se tornam apaixonantes”; “Quem me dera ser leal, discreto e silencioso como a minha sombra”. Não há como não compreender na força dessa figura humana, Dom Helder Câmara, o artesão da paz, verdadeiramente uma mina de ouro que precisa ser sempre e cada vez mais explorada e com muito amor e carinho. 2
Nascido em Fortaleza, Ceará, em 1909, ordenado sacerdote aos 22 anos, em 1931, o Pe. Helder Câmara exerceu os cinco primeiros anos de sua vida sacerdotal sob a orientação direta de Dom Manuel da Silva Gomes, então arcebispo, na capital cearense, dedicando-se à causa da educação católica; dos círculos operários, com atuação especial junto aos jovens e domésticas, em uma cidade, que ensaiava os primeiros passos no caminho da industrialização; destacando-se também por uma presença combativa nos meios de comunicação social. 3
Daquele corpo franzino, que se agigantava na pregação da fé e da justiça, daquela voz penetrante e inconfundível, que se transmutava em possantes amplificadores na defesa da vida fraterna e da paz, ficou o exemplo de dignidade pessoal, a lição de que há de ser perseverante na dura batalha pelo ideal em que se acredita e a certeza de que, mesmo na aridez do deserto, há espaço para semear e colher. Especialmente porque ele mesmo se encarregou de nos lembrar que, se "há quem tenha entranhas de posse", também "há quem tenha essência de dádiva", tornando-se um símbolo da utopia por um mundo fraterno, por um mundo de Irmãos. 4
Em 1964, ao chegar à Arquidiocese de Olinda e Recife, Dom Helder dizia: “A música é divina! E se a música ajudasse?” Então foi ao encontro do compositor suíço, Pierre Koelin, com uma vontade enorme, buscando criar um mundo mais justo, mais fraterno e mais humano. Assim nasceu a belíssima “Sinfonia dos Dois Mundos”. O movimento de Evangelização “Encontro de Irmãos” foi a menina dos olhos do grande pastor dos empobrecidos, porque aí ele via os “irmãos evangelizando os irmãos”. E a “Operação Esperança”? Ela nasceu num momento de desespero, como uma urgente necessidade de criar sinais de vida e de esperança no meio da população marcada pelo sofrimento e pela desesperança. Dom Helder, pequeno na estatura, mas grande nos sonhos, nos ideais e na santidade, colocou sua vida nas mãos do Pai, com a firme convicção e com a inabalável certeza de que a pessoa humana é que existe de mais e sagrado da face da terra, porque ela é imagem e semelhança de Deus (Gn 1, 26). 5
Dom Helder trabalhou incansavelmente pela unidade da Igreja e foi considerado um “santo rebelde”. O sonho carregado ao longo da vida e acalentado no seu coração foi o de colocar a criatura humana em um lugar de destaque, também num lugar bem elevado. Marcou profundamente uma época e nos deixou um grande legado e lição. A lição de que o deserto da nossa vida tem que ser fertilizado pela Palavra de Deus e que a vida está acima de tudo, de ela é mais forte do que a morte. 6
Mensagens do Profeta que viveu bem nesta terra, que ela não é permanente, mas com um grande desejo que todos compreendessem o sentido da vida neste mundo, voltando-se, é claro e evidente, pra outra vida, que a transcende, que vai muito além desta. Mensagens do "irmão dos pobres" que encarnou o Concílio Vaticano II, quando diz: "Não se encontra nada verdadeiramente humano que não lhes ressoe no coração" (cf. GS, 200).
Que sejamos, neste ano de 2012, portadores da mensagem de paz que ele, quando afirmou em 1964, ao assumir a função de Arcebispo de Olinda e Recife: “Quem estiver sofrendo, no corpo e na alma; quem, pobre ou rico, estiver desesperado, terá lugar especial no coração do bispo”.

Pe Geovane Saraiva, Pároco de Santo Afonso
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